sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pietà


 Pietà, 1499
Altura 174 cm com base de 195 cm. Mármore
São Pietro, Vaticano 
                                                                                   
Em 1498 o Cardeal Jean de Lagraulas encomendou a Michelangelo uma imagem da Virgem Maria para a Basílica de São Pedro. O tema era a dor de Maria sobre o corpo morto do filho.

Para isto, Michelangelo que não via na arte um meio de edificação religiosa e seu gosto pela arte clássica, foi ingrediente importante para abandonar a perspectiva renascentista e compor a mais famosa escultura do artista.

A escultura tem suas proporções deliberadamente alteradas: O Cristo é menor em relação a Virgem, o que faz com que o seu corpo repouse confortável sobre o colo da Virgem.

A Virgem Maria foi representada muito jovem e com uma nobre resignação ao segurar seu filho morto. Ela assemelha-se mais as magníficas deusas do Olimpo (que muito apreciava Michelangelo), renovando a imagem de Maria lacrimosa e cheia de dor como as representações de Donatello, de Luca Signorelli ou por Andrea Mantegna.

Em, a Pietà de Michelangelo a expressão de Maria representa a sua pureza incorruptível em cujos joelhos repousa Cristo em postura de criança adormecida. A beleza prevalece a tragédia.


terça-feira, 20 de março de 2012

Outono


Coro das quatro estações:

Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs! Enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!

O outono:

Sou a sazão mais rica:
A árvore frutifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Criação.

Concede a Natureza
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De júbilo a choupana
De cada lavrador.

Vede como do galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fruto cai…
Interrompendo as danças,
Aproveitai, crianças!
Os frutos apanhai!

Coro das quatro estações:

Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs! Enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!

(Outono, da série das Quatro Estações; Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro)



quarta-feira, 14 de março de 2012

Só se eu quiser?


Já que é só
se eu quiser...
Não quero!
Quando você quiser,
eu vou querer.
Se nunca quiser,
ficarei querendo
que você queira.
Pra juntar
o seu querer
com o meu querer...

... o meu querer:
Beijar você! ♥

®Todos os direitos reservados.




quinta-feira, 8 de março de 2012

Feminina



Ao responder: “E a mulher, o que esconde?”, Alicia foi direta: “As próprias ideias” (referindo-se a seguinte estatística: 90% das mulheres são docentes e 80% das publicações na área de educação são escritas por homens). Indo além, complementou que falta à mulher uma disposição para enfrentar quem não concorde com as suas ideias. Pois desanima e opta por relatar suas experiências em diário onde ninguém possa ler. E quando consegue ter notoriedade, acaba transmitindo uma imagem “agressiva” e “violenta”. Pois recorrem às características do sexo oposto para serem respeitadas.

                Sobre esse aspecto, fui imaginando a necessidade de manter uma postura feminina e não feminista. É preciso ter convicção das próprias ideias. Quando admitimos o movimento contrário como consequência natural do diálogo. Tornamos-nos mais confiantes, para partilharmos nossas ideias. Pois passamos a considerar a opinião contrária, não como veículo inibidor do discurso. Mas como, fundamento, também necessário, para sustentar a existência do discurso.

                A negação serve como peso de uma balança saudável. Socializar informação é exercitar a democracia. O educador sendo um formador de opinião tem como um de seus métodos de ensino promover debates. A riqueza de um debate esta na oposição de ideias. Aceitar o oposto é garantir aos nossos discentes, os dois lados da moeda. Exemplo disso (vou limitar-me a minha disciplina): Para a definição de arte, existem inúmeras teorias que justificam a sua importância na História da Humanidade, como também encontramos teorias que afirmam a morte da arte. Esse paradoxo é a mola mestra para a disseminação do conhecimento.

                Talvez falte ao legado feminino um discurso mais filosófico sobre o ideal de mulher. Porém todo ideal é apenas uma forma fictícia, mas servirá de modelo e de referência para as mulheres. Evitando que tenhamos que buscar no sexo oposto características para nos impor diante o sucesso. Um respaldo de credibilidade para marcar o território ao qual conquistamos. Rivalizar socialmente com os homens deve ser um comportamento natural, sem ter a necessidade da sobreposição de papéis. Cada pessoa tem um repertório único e singularmente valioso. O conhecimento adquirido de uma pessoa faz parte dela como um todo, desde o jeito de ser (físico) ao jeito de expressar-se (linguagem).

                A mulher precisa aceitar o desafio de estar à mostra em sua plenitude. Enfrentar o papel em branco a procura de lapidar o vazio buscando a forma da ideia é mais que um ato de coragem. É um ato de ousadia intelectual. E só assim, será possível descobrir quem compartilha de nosso pensamento. Pois um simples texto pode vir a ter um forte impacto. E derrubar “muros de Berlim” de muitos preconceitos. Não precisamos perder a nossa identidade, delicadamente, feminina. Porque tudo emperrado é PARADIGMA.

                 De forma privilégiada, recentemente, eu encontrei um exemplar desta Mulher: A Delegada Martha Rocha que de maneira firme e doce dissertava sobre segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Muito orgulho e admiração.

Mas afinal de contas... “Eu gosto de ser mulher!” Que tal começar corrigindo alguns conceitos errôneos sobre gênero? Alguém se habilita? Ou continuarão dizendo: “Estupendo!” ao marido na hora do jantar?

®Todos os direitos reservados. 


      

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Amar


Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.

Mário Quintana


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Movimento da ausência



Quando o silêncio
ocupa a minha sala,
tudo paralisa!

E junto à persiana da varanda
vem vindo a brisa...

Que a balança
como você fazia -
ao sair de lá.

Ela pendia...
pra lá e pra cá.




* escrita em 06 de novembro de 2006.
®Todos os direitos reservados.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Dois


Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.

Pablo Neruda


Jeanne pintada por Modigliani