
domingo, 3 de janeiro de 2010
A primeira imagem que eu vi no ano...

domingo, 15 de março de 2009
Patrimônio Histórico - O que preservar?
Já em 1936 Mário de Andrade entendia que "Patrimônio Artístico e Nacional são todas as obras de arte pura ou de arte aplicada, popular ou erudita, nacional ou estrangeira, pertencentes aos poderes públicos, e a organismos sociais, e a particulares estrangeiros residentes no Barsil."
Ideologia preservadora tão abrangente ampliou horizontes e as manifestações culturais do homem brasileiro passaram a não ser mais apenas seus artefatos e edificações, mas também o seu costume e o seu saber-fazer. Entretanto trouxe a dúvida: o que preservar?
Atualmente, falar de Patrimônio Histórico ainda é polêmico, pois traz à tona questões nem sempre fáceis de serem contornadas. Tal assunto abrange a cidade em todo o seu conjunto e envolve interesses variados. Satisfazer todos os moradores é tarefa impossível. Por isso, aplicar quaisquer que sejam os ideais de preservação acaba sendo uma jornada, cujo significado nem sempre é bem compreendido. Mas é necessário corre todos os riscos em prol de manter a integridade histórica da cidade.
Alguns exemplos do nosso vasto Patrimônio (no sentido mais amplo da palavra) são as edificações históricas de estilo Neoclássico (Palácio Paranaguá - sede da Prefeitura Municipal); de estilo Neogótico (Instituto Nossa Senhora da Piedade); de estilo genuíno Barroco (Capela de Santana - Rio do Engenho)... Sem esquecer dos prédios perpetuados na literatura regional, como o Bar Vesúvio e suas personagens interpretadas, atualmente, pelos atores Ely Isidro (Nacibe) e Janete Lainha (Gabriela) - divulgadores da cultura local para turistas. Assim como as rodas de capoeira de Mestre Luis Macedo - o tempero do verão; os retratos das personalidades políticas de Catarí Borges; os cordéis de Gilton Thomás ("causos" populares); o improviso do repentista Mestre Azulão; o retorno à oralidade nas histórias grapiúnas contadas por José Delmo; o Memorial da cultura negra; as esculturas de trabalhadores rurais do artista Souza - já expostas no Museu do Folclore do Rio de Janeiro; os grupos de Bumba-meu-boi; a festa da Puxada do Mastro em Olivença; a presença marcante da cultura indígena e, por fim, a todas Instituições e Ongs divulgadoras de nossa cultura, nossa culinária e até mesmo a beleza natural de Ilhéus. Não havemos de esquecer tantos outros nomes expoentes, artefatos, edificações históricas e reservas ambientais não citadas neste breve artigo.
Drª. Karina Gomes Cherubini, Promotora do Patrimônio Histórico do MPE - Ilhéus, em palestra promovida pela FUNDACI - Quartas Culturais, esclarece a visão legislativa a respeito do patrimônio cultural e alerta para nossas atitudes e responsabilidades sociais, quando diz "a cultura de uma sociedade pode ser de adesão ou de aversão às coisas da cidade". Um convite ao cidadão ilheense para discutir sobre sua história, assegurando o exercício da democracia.
Porém, preservar o passado nao implica censurar o novo. A chave é encontrar a harmonia entre o antigo e o atual, se decidirmos trilhar esse caminho. Exemplo disso podemos encontrar nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Alguns prédios históricos, Pinacoteca (centro - SP) e o Amarelinho (Cinelândia - RJ), mantêm a "fidelidade" de suas imponentes fachadas e desfrutam de interiores de conceitos decorativos atuais no que diz respeito à segurança, à funcionalidade do espaço à qual estão destinados (o primeiro, Centro Cultural, e o segundo, Prédio Comercial). Junto à beleza dos designers contemporâneos a serviço da tecnologia. Mas se preferirmos outros rumos, podemos tomar como exemplo Ouro Preto - MG, primeira cidade a ser preservada no Brasil. Lembrando... para preservar a história colonial mineira, implicou-se abrir mão de edificações e artefatos públicos modernos e contemporâneos.
Sejam quais forem os rumos a serem tomados, ao olharmos em nossa volta, perceberemos saídas para uma união favorável entre passado e presente. Assim, precisamos o mais rápido possível escrever hoje o que nossos bisnetos irão desfrutar.
Qual será o teor dos capítulos da "Cidade Romance do Brasil"?...
Nessa história, somos co-autores, consequentemente, temos responsabilidade com ela. Para saber "o que preservar?" se faz necessária a opinião pública. Responder esta questão é ir de encontro à nossa identidade. A descoberta implicará gostar de nós mesmos, valorizar nosso jeito, conservar nossas formas, nossas cores, nossas músicas, nossas danças, nossas estórias... A NOSSA GENTE ILHEENSE!...
Mas... afinal de contas... "Alô, Rio de Janeiro, aquele abraço!... o meu caminho pelo mundo... eu mesmo traço... a Bahia já me deu... régua e compasso... quem sabe de mim sou eu, aquele abraço!" (GILBERTO GIL).
Catedral de São Sebastião a frente e Instituto Nossa Senhora da Piedade ao fundo no centro da foto. Artigo publicado no ano de 2006 no Diário de Ilhéus.
segunda-feira, 9 de março de 2009
UCAM - Formatura da Pós-graduação em Psicopedagogia
terça-feira, 17 de junho de 2008
Velha Página

O Beijo. Gustav Klimt
Que mágoa! Embruscam-se os ares
Sobre este rio que chora
Velhos e eternos pesares.
E sinto o que a terra sente
E a tristeza que diviso,
Eu, de teus olhos ausente,
Ausente de teu sorriso...
As asas loucas abrindo,
Meus versos, num longo anseio,
Morrerão, sem que, sorrindo,
Possa acolhê-los teu seio!
Ah! quem mandou que fizesses
Minh'alma da tua escrava,
E ouvisses as minhas preces,
Chorando como eu chorava?
Por que é que um dia me ouviste,
Tão pálida e alvoroçada,
E, como quem ama, triste,
Como quem ama, calada?
Tu tens um nome celeste...
Quem é do céu é sensível!
Por que é que me não disseste
Toda a verdade terrível?
Por que, fugindo impiedosa,
Desertas o nosso ninho?
- Era tão bela esta rosa!...
Já me tardava este espinho!
Fora melhor, porventura,
Ficar no antigo degredo
Que conhecer a ventura
Para perdê-la tão cedo!
Por que me ouviste, enxugando
O pranto das minhas faces?
Viste que eu vinha chorando...
Antes assim me deixasses!
Antes! Menor me seria
O sofrimento, querida!
Antes! a mão que alivia
A dor, e cura a ferida,
Não deve depois, tranqüila,
Vendo sufocada a mágoa,
Encher de sangue a pupila
Que já vira cheia de água...
Mas junto a mim que te falta?
Que glória maior te chama?
Não sei de glória mais alta
Do que a glória de quem ama!
Talvez te chame a riqueza...
Despreza-a, beija-me, e fica!
Verás que assim, com certeza,
Não há quem seja mais rica!
Como é que quebras os laços
Com que prendi o universo,
Entre os nossos quatro braços,
Na jaula azul do meu verso?
Como hei de eu, de hoje em diante,
Viver, depois que partires?
Como queres tu que eu cante
No dia em que não me ouvires?
Tem pena de mim!tem pena
De alma tão fraca! Como há de
Minh'alma, que é tão pequena,
Poder com tanta saudade?!
Olavo Bilac
segunda-feira, 16 de junho de 2008
No pé do ouvido...

quarta-feira, 11 de junho de 2008
Aulas de Educação Artística
.... Tem uma música da Adriana Calcanhoto que diz em um dos seus versos o seguinte:"Eu ando pelo mundo prestanto atenção em cores que eu não sei o nome...". Isso fica ecoando sempre aqui dentro de mim... uma eterna curiosidade para visualizar o invisível... para perceber algo que me passou por falta de conhecimento... Esse bichinho chamado inquietação é que temos que provocar nos nossos alunos. Passei por uma experiência fantástica no interior da Bahia... primeiro que eu tinha que dar aulas para o Ed. Infantil e Fundamental até 4 série, hoje 5º Ano. Que desafio!!! Depois a dúvida: "e agora como preparar minhas aulas?" Minha formação e sobretudo experiência era para o ensino médio ... Pensei que não tinha jeito... Mas cheguei a uma conclusão: precisava ouví-los falar primeiro.
A primeira aula - criei a seguinte dinâmica : três bamboles um verde, um vermelho e um amarelo e juntei diversos objetos do nosso cotidiano e outros objetos de artes e instrumentos de arte (pincel, tinta, tela...). Lá fui eu para escola com um monte de trecos e a coordenadora só olhou de rabo de olho e terminei de passar pelo corredor entrei na sala do ed. infantil e perguntei para a turminha, após a rodinha tradicional:
- O que é arte?
A proposta era que eles atráves dos objetos colocassem no bambole verde aquilo que para eles eram arte. E no bambole vermelho o que não era arte. Retirando os objetos do bambole amarelo onde tudo se encontarva misturado. No final eu também me submetia a fazer a dinâmica arrumando os objetos e me justificando conforme cada aluno fez.Resultado: Quando fui para sala tinha dúvidas! Quando sai da sala tinha a certeza de muitas coisas. Individualmente, cada aluno respondeu. Fui anotando atentamente a tudo, onde no final o meu caderninho estava repleto de impressões que valiam OURO. Porque com isso, pude compreender quem era o meu aluno e também a minha turma. Simplismente analisando o que reconhececiam ou não naqueles objetos sobre arte.
Acredito ser fundamental conhecer quem é o seu aluno. É preciso dar para o aluno - antes de mais nada - oportunidades para que eles se mostrem. É preciso estar atento ao comportamento deles sim. Essa dinâmica me deu um mapa de como compreendiam a arte. Alguns foram além de minhas expectativas. Por isso, quando entramos na sala de aula, temos que ter cuidado, pois podemos estar com o preconceito de que não sabem... e eles estão sabendo. E se não sabem, é porque não estão inquietos para ver o invisível, conforme digo lá no início. Se eles trazem hábitos culturais que julgamos (de forma pedagógica) ser algo não muito produtivo ou benéfico. Cabe a nós mesmo pesquisarmos onde podemos intervir de forma salutar para mostrar a esses meninos um caminho mais interessante... as vezes coisas que inserimos em nossas aulas de forma sutil surtem mais efeito do que idéias impostas! Uma música ao fundo mais poética... Já tentou fazer isso? Eu já fiz e deu certo... Não diga que vai colocar a música, no meio da prática coloque bem baixinho. Coloque seu aluno de frente para as cores do mundo que ele ainda não conheçe o nome porque nunca viu. E se não viu? Mostre! Vamos usar e abusar da prática da democracia... é uma barganha bacana... rsrs
sábado, 7 de junho de 2008
No pé do ouvido...
Encontro-me em meio ao deserto vez em quando. E como numa "Tentação de Cristo" situações acontecem desviando-me o olhar do caminho eleito para os dias vindouros. A consciência é tão céptica - não acredito ser obra de Deus ou do Diabo. Apenas o super-ego projetando imagens dos próprios desejos meus. Nada observado no mundo são imagens impostas. Porém o contrário é verdade para mim. Sou eu quem projeto-as. Sou eu quem evoco-as. Nesse cruel teste onde procuro entender: O QUERER... Imagens assombrosas junto imagens vividas é mera ilusão. Infelizmente toda imagem terrena esta duas vezes abaixo da verdade. Ainda não caminho em silêncio profundo. As imagens que evoco são cheias de ruídos roubando minha paz... faz sentir-me naquela infernal celeuma de um Maracanã em final de campeonato brasileiro. Início árduo para meditação.


